Empreender não é apenas sobre planilhas e margens de lucro. Às vezes, o maior ativo que um projeto pode gerar é a esperança. Em Itapiranga e região, uma iniciativa vem ressignificando o ambiente hospitalar e provando que a empatia também exige gestão, preparo e muita coragem para existir.
Os Drs. Biruleibes nasceram de uma vivência profunda com a arte da palhaçaria. A bagagem de três anos de atuação em hospitais infantis e oncológicos na cidade de Lages foi o ponto de partida para trazer essa realidade para o nosso ecossistema local. O que começou como uma missão de vida transformou-se em um projeto estruturado, levando acolhimento para onde, muitas vezes, só existe a dor.
A Preparação Por Trás do Sorriso
Vestir o jaleco e o nariz vermelho exige muito mais do que boa vontade; é um projeto delicado, que demanda estudo e um desejo genuíno de doação. Antes de pisarem nos corredores de um hospital, os voluntários passam por um treinamento rigoroso e humano:
O grupo dedicou de dois a três meses de encontros aos finais de semana para uma preparação intensiva.
As aulas envolveram técnicas de humanização, escuta ativa, desenvolvimento do corpo e da mente, além do entendimento das vulnerabilidades e riscos do ambiente hospitalar.
Atualmente, a equipe conta com 12 integrantes comprometidos.
Oito desses membros atuam diretamente nas alas hospitalares, enquanto os demais (incluindo integrantes menores de idade) focam em levar o projeto para lares de idosos e espaços infantis.
O Encontro com a Humanidade e a Magia
A verdadeira mágica acontece no encontro olho no olho. Chegar a um quarto onde uma criança chora, com pais exaustos, e conseguir transformar esse momento de extrema tristeza em algo mágico não tem preço. A arte da palhaçaria permite enxergar a pessoa que existe ali na cama, indo muito além da doença que ela enfrenta.
Para que essa conexão aconteça, é preciso desmontar as armaduras que construímos para viver em sociedade. Como define a idealizadora do projeto, Gezieli Carolina Teodoro, cada voluntário precisa acessar e "entregar o seu melhor ridículo". É necessário buscar lá no fundo essa versão palhaço, despida de vaidades e amarras, para conseguir genuinamente alegrar o outro. Afinal, o palhaço é, na sua essência, a nossa parte mais sensível e humana.
Essa troca de energia é tão poderosa que acaba ajudando e curando tanto quem recebe a visita quanto quem está ali, dedicando o seu tempo. O projeto também prepara a equipe para lidar com as despedidas, ensinando a acolher a morte como algo natural e parte do ciclo da vida, sem perder a doçura.
Gestão, Propósito e Conexões Locais
Para manter a constância e a responsabilidade, os Drs. Biruleibes atuam com seriedade institucional. O grupo realiza plantões em São Miguel do Oeste, seguindo rigorosamente as regras médicas, os agendamentos e o acompanhamento de enfermeiros. O trabalho é 100% voluntário e sem custos para as instituições de saúde.
Contudo, a logística exige organização. A estruturação como MEI foi um passo fundamental para o amadurecimento do grupo. Para custear os deslocamentos e materiais, a equipe conta com o engajamento da comunidade:
Os próprios voluntários contribuem com uma mensalidade de 20 reais para garantir o transporte.
O grupo organiza ações como o "Pix Premiado", sorteando prêmios doados por empreendedores locais para arrecadar fundos e manter o projeto girando.
Os Drs. Biruleibes são a prova viva de que o propósito e o trabalho social profundo podem e devem caminhar de mãos dadas com o empreendedorismo. É a força do nosso Oeste catarinense mostrando que, com conexões reais, a empatia salva vidas.
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